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20 de Setembro de 2021

Carta ao desanimado

Ou ao que pensa em desistir...

Ana Karolina Lima, Advogado
Publicado por Ana Karolina Lima
há 5 meses

Não foi em vão que você sacrificou tanto para pagar cada mensalidade da faculdade ou, se estudou em Universidade Pública, para pagar cada livro, cada xerox, cada passagem ou a gasolina de cada dia.

Você lembra das vezes em que te faltou o valor do almoço? Ou que, você até tinha o dinheiro, mas, pela correria, não te deu tempo de almoçar e você foi correndo para o estágio ou para o trabalho mesmo com a barriga doendo de fome?

Lembra das vezes em que te desmotivaram, falaram palavras que te feriram, duvidaram de quem você era?

Lembra das madrugadas de estudo, das provas de estágio, ou das entrevistas...? Das vezes em que teve que estudar mesmo de luto, mesmo doente, mesmo preocupado?

Lembra quando sacrificou seu tempo ou até mesmo seu dinheiro para passar na OAB? E do frio na barriga até ver o resultado?

Enfim, foram tantas situações.

E acredito que, verdadeiramente, nada nessa vida é sem propósito.

Você já chegou tão longe, chegou onde tantas pessoas sequer sonham em chegar. Talvez até você foi o único da família a ter um diploma. Você deu orgulho aos seus pais.

Sua história não termina aqui não! Não se permita "nadar e morrer na praia". A vitória é daqueles que seguem correndo nos últimos segundos da prova. A maioria desiste já perto da linha de chegada. Não desista! Não seja essa maioria. Você pode mais!

Seja o seu sonho a advocacia ou um concurso público. Insista mais um pouco. Racionalize seus passos.

Se da forma que você tem tentado até aqui não tem dado certo, será que o problema não é do método, e não seu?

Não siga estudando apenas para enganar a si mesmo e provar para sua própria baixa autoestima o quanto você é "incapaz". Não faça isso, pois se você já chegou tão longe, capacidade é algo que não te falta! Não siga esperando clientes para provar para si mesmo o quanto a culpa é da advocacia... faça algo diferente! Desafie-se! Vença a vergonha, o medo do julgamento ou o medo de fracassar. Só há um fracasso: não tentar.

Sabe aquela frase que diz: "Enquanto fizermos as mesmas coisas, os resultados serão iguais. Se você quiser resultados diferentes, aja diferente." Então, é sobre isso... Sobre refazer o caminho, reinventar-se e seguir sem desanimar. Coisas incríveis vão acontecer!

Levante a cabeça. Comece acordando mais cedo, arrumando-se e usando o melhor perfume que você tem. Imagine-se já onde você quer chegar e aja como tal. Isso se chama fé, pois ela é "a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que não existem".

Se for preciso, leia esse texto outras vezes, ou mesmo todos os dias durante um período, até essas palavras formarem raízes dentro de você.

Blinde-se das palavras negativas. Olhe lá na frente, esqueça um pouco a situação atual e veja com os olhos de como você quer seu futuro. Sim, veja como se ele já fosse o seu presente e sempre tendo em mente que cada pequeno passo te faz mais próximo dele. Cuide da sua mente. Cuide da sua vida espiritual. Siga fazendo o que é preciso, sem contar os dias, sem contar os meses. Apenas acredite, aja e prossiga!

8 Comentários

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Senti ânimo ao ler seu texto Dra.!
Gratidão! continuar lendo

Fico feliz. Não desiste... continuar lendo

Sou pai de família e servidor público estatutário. Acordo todos os dias e saio às 6:00 da manhã para trabalhar, atender bem ao público, ter equilíbrio profissional e espiritual. Antes de fazer a OAB eu acordava cedo para ir à faculdade, e de lá ia direto para o trabalho. Tinha que sair às 12:00 para pegar o ônibus que passava de meia em meia hora, sendo que a aula acabava às 12:30. Quando me formei, fiz um cursinho no mesmo horário da faculdade. Passei com ótima pontuação no exame da OAB. Ao atuar, passei por situações diversas que até então, para mim, eram obstáculos da militância.

Com o tempo fui percebendo que estava além de meu controle. As petições que eu fazia tinham andamento de rotina, mas a matéria não era apreciada. E de tempos em tempos os magistrados despachavam pedindo manifestação no prazo de 5 dias sob pena de arquivamento. Mas como se haviam petições pendentes de apreciação?

O caso é que em processos que eu tramitava, ví decisões que mais pareciam atender a interesses das outras partes que um julgamento justo e imparcial, por determinados Magistrados, que em nome da Justiça, atenderam à pedidos de Funcionários do próprio tribunal de modo muito intrigante. Estes mesmos magistrados são investigados na Operação Faroeste.

Passei a ver que não se tratava apenas de militância e seus obstáculos, mas de possível "não importância" ou mesmo de exclusão proposital de interesses desconhecidos. Tem coisas que desconfiamos mas nem podemos falar, por se tratar de desconfiança de crimes.

Continuo ... continuar lendo

Fiz curso para o concurso da Magistratura na escola de Magistratura da Bahia (EMAB), antiga Escola de Preparação e Aperfeiçoamento de Magistrados (EPAM), e me inscrevi no concurso. Antes do pagamento, recebi uma informação que me deixou triste e muito desconfiado. Uma assessora me informou uma conversa de bastidores da comissão do concurso pata o TJBA e resolvi não pagar a inscrição.

Posteriormente passei a acompanhar os andamentos da operação Faroeste, que investiga a venda de decisões por magistrados membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia, e descobri que os investigados eram os mesmos que deram decisões desfavoráveis em processos que eu atuava, e ainda eram os mesmos que compunham a banca examinadora do concurso para a magistratura.

Ou seja, o cerco estava fechado ao meu respeito.

Final de 2013, meu pai (magistrado), tinha uma funcionária em seu gabinete que retirava os processos de sua mesa para "dar vistas a advogados" antes da apreciação dele, mesmo com os processos conclusos a ele, e não eram devolvidos. Ele pediu que ninguém mais retirasse processo de sua mesa, e disse que a porta ficaria trancada. Que os advogados marcassem dia e hora para ver os processos no gabinete, evitando com isso a demora processual. Irritada ela (funcionária) fez escândalo diante dos demais funcionários e ele devolveu esta funcionária ao tribunal, sendo que a mesma ganhou um posto na Corregedoria.

Acho também que atuaram contra ele, sim. Ele já vinha sendo perseguido e processado nos últimos dias que antecederam seu AVC, mesmo sendo um magistrado atuante e reconhecido pela própria imprensa nacional. Um escritor de primeira que fez julgamentos que circulavam na imprensa e incomodava muita gente por fazer justiça. Olhando certos aspectos pessoais, acho que meu pai teve um AVC ao descobrir algo sobre este grupo.

Meu pai nunca teve uma decisão reformada pelo Tribunal. Já teve sim, revisão de cálculos das condenações, mas nunca uma decisão dele havia sido reformada, e que demonstra um zelo profissional e precisão de conhecimento difícil de ser encontrado em qualquer profissão. Posso dizer que meu pai não errava o sentido das decisões, apenas tendo revisto os valores para mais ou para menos.

Quando vejo o volume de recursos nos tribunais, entendo que meu pai faz falta a esta instituição que deveria zelar mais em julgar de modo que faça realmente justiça, sem liminares que previamente condenam pessoas, tiram direitos, afetam almas e famílias.

Então não se trata de se permitir "nadar e morrer na praia" e nem mesmo se trata de desistência, mas sim de perceber que talvez não se possa nadar em praia de TUBARÕES, mesmo que poucos, e Mesmo que quase nada, mesmo que hajam golfinhos nesta praia.

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Finalizo ...

Por isso fiz alguns textos desacreditando, não de como o sistema vem se articulando para colocar pessoas de crime no poder. Imagina que para ser candidato, tem que entrar num partido, ser conivente com o partido, trabalhar nos erros do partido e só então, quando estiver nas mãos dele, conseguir uma vaga na candidatura para vereador ou deputado.

O STF indicado politicamente e que deveria resguardar a Constituição sendo criticado noite e dia pelas suas decisões polêmicas com interferência entre os poderes da República, inclusive em situações interna corpore.

A OAB que precisa focar nos interesses da advocacia negando atender o advogado ou receber requerimentos de queixa em relação à atuação ou omissão continua de magistrados, chegando a perceber que a continuidade de sua atuação poderia trazer mais prejuízos a seus clientes (partes de processos), que ao próprio advogado.

Já estou pensando em cursar medicina, mas com medo da interferência judicial na autonomia médica, visto o ingresso da militância política dentro do poder judiciário.

Não é desistir do Direito, nem da luta. É percorrer caminho diverso deste que relatei. É a tristeza mesmo por ter visto um judiciário tão limpo quando criança, quando meu pai pertencia ao grupo de heróis que sei que ainda existem, mas ver a cúpula sendo poluída por situações que a própria imprensa relata.

Só isso. continuar lendo

Entendo sua dor. Sinto muito.
Porém, foque nos bons exemplos, eles sempre existem.
Tudo é uma questão de perspectiva. continuar lendo

Belíssimo texto, Dra.

Obrigado! continuar lendo